ENTREVISTA: PRESIDENTE DA CÂMARA FALA À IMPRENSA E AVALIA PRIMEIRO SEMESTRE

Em seu terceiro mandato na Câmara Municipal, o advogado Sérgio Bouez (PSB) conhece bem o ofício do vereador como representação política mais próxima da população, portanto um segmento mais visado e cobrado por posições e atitudes contrárias aos erros de conduta de outras esferas de poderes. Aos 38 anos, o presidente da Câmara é tido como uma pessoa afável, honesta em suas palavras, de grande caráter, probidade, presença e traquejo político. Sérgio bouez entende que política é a arte de conversar, se entender, dialogar, debater idéias e opiniões que divergem. Aliás, estas qualidades em sua conduta é que lhe dá credenciais para chefiar a Câmara de Guajará-Mirim e servir como exemplo político para aqueles que aspiram adentrar esta seara e mantê-la como profissão de fé. Na manhã de segunda-feira o presidente da Casa de leis concedeu a seguinte entrevista:


– Como o senhor avalia os trabalhos da Câmara neste primeiro semestre?
Sérgio Bouez – De maneira positiva. Fizemos um trabalho de reorganização tanto administrativa como parlamentar. Na parte administrativa, no sentido de melhorar a imagem do aparato legislativo e de dar melhor suporte às pessoas que procuram a Câmara a fim de encontrar soluções para os problemas do dia-a-dia. Na parte parlamentar, no sentido de trabalhar a política de forma correta. A Câmara tem cumprido à risca seu ofício que é fiscalizar as ações do Executivo. Estes primeiros seis meses foram de importância para que os vereadores novatos pudessem conhecer o ritmo do trabalho, colocar em prática os projetos e apresentar idéias e sugestões ao debate público. Dá para sentir que hoje temos um legislativo com mais consciência de sua obrigação e mais próximo da população.

– Dos projetos que foram levados ao plenário nestes seis meses, quais o que merecem destaque?
Sérgio Bouez – Aprovamos o projeto de criação do programa de calçamento comunitário nos bairros da cidade que promove uma parceria entre Governo e cidadãos com o objetivo de melhorar o aspecto de ruas e calçadas em forma de mutirão. Fizemos aprovar também um projeto que aproxima ainda mais o cidadão comum e seus anseios, da Câmara Municipal e que o coloca como partícipe atuante do debate parlamentar. O projeto, nominado Câmara Itinerante, vai realizar uma vez a cada mês uma sessão plenária nos bairros da cidade e começa a funcionar a partir deste mês de agosto.

– Como estão as relações entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo?
Sérgio Bouez – Como tem que ser. Puramente institucional. Até para haver equilíbrio entre os poderes. Cada qual no seu cada qual. Este caráter, mais que um direito, é uma obrigação. Senão acaba virando matriz e filial, conta-conjunta, etc… O que é péssimo para o Estado de Direito.

– Qual a avaliação que o senhor faz do Poder Executivo, passada a eleição suplementar?
Sérgio Bouez – Ainda é muito cedo para dar um parecer. Porém observo que o prefeito tem buscado se empenhar de forma efetiva para atender as demandas de toda a cidade. Mas para construir uma agenda positiva visando um status de mudanças reais no mosaico atual, é preciso trabalhar ouvindo a população. Tomar decisão sem escutar, sem dialogar, às vezes afeta a todos os cidadãos.

– O senhor é lembrado por ter realizado um excelente trabalho em curto período à época em que esteve atuando como prefeito interino. Como o senhor enxerga a cidade do ponto de vista administrativo?
Sérgio Bouez – Com um bom orçamento e material humano eficiente se consegue administrar de forma eficaz. Consegui montar uma equipe de trabalho em todos os setores da administração. Todos ali sabiam os projetos e metas a se alcançar. A cidade se transformou em apenas sessenta dias. E acabou ganhando esta estampa graças a dinâmica de todos os que creram que era possível resgatar o respeito, não através de discursos vazios e bla-bla-blás, mas sim com ações e atitudes. Em noventa dias como prefeito, entreguei a cidade muito melhor de quando havia pegado. Isto é fato notório.

– Guajará-Mirim hoje vive refém da violência. Todos os dias a cidade amanhece com notícias de assaltos, confronto entre gangues e até roubos seguidos de morte. Existe alguma forma do Poder Público Municipal fazer alguma coisa?
Sérgio Bouez – É um caso complexo. Mas acredito que os jovens se envolvem com gangues e drogas por não terem acesso à cultura e ao esporte. A abertura de mais espaços físicos com projetos culturais para que estes jovens possam exercer atividades e hábitos saudáveis seria uma solução, ainda que paliativa. Outro problema é a falta de emprego na cidade. Como diz o ditado: mente ociosa, oficina do diabo. Guajará-Mirim é uma cidade com potencial turístico e econômico. É preciso criar políticas públicas para a atração de empresas e indústrias que queiram investir na cidade. Haveria geração de renda. Haveria emprego para essa gente. A Câmara pode ajudar a prefeitura neste projeto. A Câmara também pode intervir junto ao Governo do Estado pedindo melhores condições de trabalho para os policiais, equipagem e viaturas. E ao Governo Federal pedindo mais rigidez no combate ao tráfico de drogas.

– Quem assiste aos telejornais todos os dias se depara com notícias que nada dignificam a imagem dos políticos. Escândalos pipocam todos os dias. Como o senhor vê a política nacional?
Sérgio Bouez – Acredito que o cenário político à nível nacional afeta a toda a política de modo geral porque acaba criando um descrédito. Os escândalos que se propagam desgastam a política por completo. Uma filtragem em todo o sistema seria o caminho mais viável para que a população voltasse a acreditar nos políticos. Por isso é que defendo a punição de todo político apanhado em corrupção. Quem estiver errado, tem que ser punido.

AUTOR: FABIO MARQUES – ASSESSORIA