Casos mais atendidos pelo Conselho Tutelar de Guajará-Mirim são de abuso sexual, evasão escolar e conflito familiar

Órgão tem cinco conselheiras para atender o município e região. Dados apontam que em 2018 houve um aumento das ocorrências no primeiro trimestre em relação a 2017.

Conselho Tutelar de Guajará-Mirim — Foto: Júnior Freitas / G1 RO

O Conselho Tutelar realizou aproximadamente 500 atendimentos envolvendo crianças e adolescentes somente em 2018 em Guajará-Mirim (RO), a cerca de 330 quilômetros de Porto Velho. O órgão divulgou dados oficiais que mostram maior incidência nos casos de abuso sexual, evasão escolar e conflito familiar.

Atualmente apenas cinco conselheiras tutelares atuam no município e região: Bruna Flores, Adrina Nobre, Flora Alencar, Juvina de Lima e Vera Tito. Em 2017 as servidoras atenderam 1.039 ocorrências, incluindo as áreas ribeirinhas e os distritos de Surpresa e o Iata, na zona rural.

Os dados apontam que no primeiro trimeste deste ano houve um aumento no número de ocorrências em relação ao mesmo período de 2017. Nos primeiros três meses do ano foram atendidos 226 casos, já no ano passado foram 170.

Em entrevista ao G1, a conselheira Bruna Flores falou sobre a atuação do órgão e como é o trabalho realizado nas ocorrências.

“Nosso trabalho está tipificado no artigo 136 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e não temos poder de punir, já que o Conselho não é um orgão jurisdicional. Trabalhamos para zelar pelos direitos das crianças e adolescentes e encaminhamos os casos pertinentes ao Ministério Público (MP) e Poder Judiciário. Quando o menor é apreendido e os responsáveis não são localizados, o Conselho é acionado para fazer o acompanhamento da ocorrência na Delegacia de Polícia Civil”, explica.

Bruna Flores é uma das cinco conselheiras que atuam em Guajará-Mirim e Região — Foto: Júnior Freitas / G1 RO

Bruna enfatizou ainda que o Conselho Tutelar não faz fiscalizações em festas e eventos porque o órgão não tem poder de polícia.

“Anteriormente o Conselho acompanhava, pois não era a instituição responsável pelas fiscalizações, quem fazia era uma equipe do Comissariado de Menores. A população desconhece o real trabalho do Conselho Tutelar e muitos cobram de nós algo que não é nossa atribuição. Os órgãos que possuem poder de polícia são os responsáveis por tais fiscalizações”, concluiu.

Município tem apenas cinco conselheiras tutelares que atendem as ocorrências na região — Foto: Júnior Freitas / G1 RO

Um estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revelou que a Região Norte possui o indicador mais elevado de distorção idade-série no Brasil. Em Rondônia, 23,5% dos estudantes estão atrasados nos estudos. É um universo de mais de 70 mil alunos no estado que, por algum motivo, se encontram atrasados na vida escolar.

Sobre o tema evasão escolar, o Conselho diz que é bastante comum os casos de alunos que abandonam a escola ou que estão com a frequência baixa. O acompanhamento é feito com a família para saber o motivo da desistência ou do não comparecimento durante as aulas, mas que é difícil ter o controle porque muitos pais já não têm poder sobre os filhos.

Por Júnior Freitas, G1 Guajará-Mirim e Região